Tratado de Latrão deu origem ao Estado do Vaticano, o menor país do mundo

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Na década de 1920, a Itália estava sob o regime fascista. Seu líder, Benito Mussolini, tornou-se primeiro-ministro do país em 1922 durante a Marcha sobre Roma e, em 1925, autoproclamou-se ditador da Itália. As relações com a Igreja Católica ainda eram ruins, mas Mussolini sabia que negociar com a Igreja Católica poderia ser algo positivo para a reputação do regime.

As negociações foram iniciadas em agosto de 1926, tempos depois do papa Pio XI mostrar-se aberto a negociar com o governo italiano. Nas negociações, Benito Mussolini nomeou Domenico Barone, advogado do governo, para representá-lo. Já o papa Pio XI nomeou Francesco Pacelli, membro de uma família que servia os papas havia décadas, para ser o seu representante.

As negociações entre o governo italiano e a Igreja Católica estenderam-se por mais de dois anos e, em alguns momentos, pareceram que estavam fadadas ao fracasso. Em um momento, o papa mostrou-se insatisfeito com a perseguição dos fascistas a um grupo da Igreja Católica chamado Ação Católica. Em outro momento, o rei italiano mostrou-se inclinado a não aceitar o acordo que estava sendo feito.

Esses entraves foram superados pelos dois lados, e um acordo foi fechado em 1929. A assinatura e a formalização do Tratado de Latrão aconteceram em 11 de fevereiro de 1929, quando Benito Mussolini e Pietro Gasparri, secretário da Santa Sé, reuniram-se no Palácio de Latrão.

O documento do Tratado de Latrão, segundo o cientista social David I. Kertzer, pode ser dividido em três partes distintas|1|. Na primeira parte do acordo, oficializou-se a criação do Estado da Cidade do Vaticano, um território independente sob o governo do papa. Na segunda parte, ficaram acordados os termos das relações entre Itália e Vaticano, nos quais o governo italiano assegurava que não interviria nos assuntos internos do Vaticano.

O último ponto do acordo falava sobre uma indenização que seria paga ao Vaticano por todas as terras das quais eles abriram mão e que eram reconhecidas como posses do governo italiano. David I. Kertzer fala que, em valores atualizados, a indenização totalizou cerca de um bilhão de dólares|2|. A assinatura do Tratado de Latrão foi comemorada em todo o território italiano e melhorou consideravelmente a imagem do regime fascista.

Acesse também: Mussolini e a Copa do Mundo

Papas depois do Tratado de Latrão

O Vaticano, enquanto Estado soberano, está próximo de completar um século de existência. De 1929 até os dias atuais, a Igreja Católica elegeu oito papas (incluindo o próprio Pio XI). A lista dos papas eleitos desde o Tratado de Latrão ate os dias de hoje é a seguinte:

  1. Pio XI (1922-1939)
  2. Pio XII (1939-1958)
  3. São João XXIII (1958-1963)
  4. Paulo VI (1963-1978)
  5. João Paulo I (1978)
  6. São João Paulo II (1978-2005)
  7. Bento XVI (2005-2013)
  8. Francisco (2013-)

|1| KERTZER, David I. O Papa e Mussolini: a conexão secreta entre Pio XI e a ascensão do fascismo na Europa. Rio de Janeiro: Intrínseca, 2017, pp. 132-133.
|2| Idem nota 1.

Por Daniel Neves (Brasil Escola)
Graduado em História

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