OPINIÃO: Os desafios do novo governador da Paraíba

opiniao os desafios do novo governador da paraiba - OPINIÃO: Os desafios do novo governador da Paraíba

 

• Guilherme Franco 

Quais áreas da administração pública merecem um olhar especial do novo governador do Estado, João Azevêdo (PSB)? Diante de recursos escassos, todo gestor público têm o dever de avaliar os resultados dos governos anteriores, verificar as áreas em que a administração foi bem-sucedida e redefinir programas em setores em que houve avanços pouco significativos ou mesmo retrocesso. A tarefa, porém, não é fácil. A complexidade dos elementos que devem ser levados em consideração para uma avaliação profunda e efetiva é alta. Saúde, educação, emprego, segurança: cada área sujeita à admiração pública possui uma infinidade de subáreas.

Ferramenta que pode dar relevante contribuição a essa tarefa é o Ranking de Competitividade dos Estados, desenvolvido pelo Centro de Liderança Pública (CLP), em parceria com a Economist Intelligence Unit e a Tendências Consultoria Integrada. Trata-se do maior estudo acerca da gestão pública no País. Nele, estão reunidos 68 indicadores de dez áreas-chave para o desenvolvimento dos Estados e do Brasil. A partir de sua 7ª edição, recém-divulgada, é possível verificar em que setores cada Unidade da Federação teve um avanço mais veloz ou mais lento, nos últimos quatro anos, que o resto do País.

É notório, a partir dos dados do Ranking, que a Paraíba apresentou mau desempenho, em relação aos outros Estados, nos indicadores que mensuram a eficiência da máquina pública, o capital humano e, especialmente, o potencial de mercado. Em relação a essa última área, o Estado sofreu um tombo de 14 posições, deixando de ser o 4º maior potencial de mercado para se tornar o 18º. Contribuiu para tanto, particularmente, a baixa taxa de crescimento paraibana, que, se no início da última gestão, era a 3ª melhor do País e mantendo-se alta nos dois anos subsequentes, sofreu uma queda considerável em 2017 e hoje é apenas a 12ª.

O governador não é o único responsável pela taxa de crescimento regional. Há medidas que dependem do governo federal. Mas, tendo em conta o comparativo com as outras Unidades da Federação, pode-se dizer que o novo governo precisa tomar medidas para que a Paraíba cresça, ao menos, em ritmo semelhando ao dos demais Estados.

Os indicadores relativos ao capital humano é outra questão que merece um olhar especial por parte do novo governante. Em quatro anos, a Paraíba deixou de ser a 14ª Unidade da Federação mais bem colocada na área para se tornar a 19ª. O Estado patina particularmente na qualificação de seus trabalhadores, aferida pela média de anos estudados da população economicamente ativa. Nesse quesito, o Estado é somente 22º do País, com uma média de cerca de 8,5 anos de estudo. Com isso, a produtividade do trabalho, medida pela relação entre PIB do Estado e força de trabalho ocupada, também é baixa, a 25ª no Ranking. São setores nos quais uma efetiva atuação do governo estadual pode fazer diferença.

O Ranking indica ainda que a eficiência da máquina pública do Estado também merece entrar no radar de João Azevêdo. O Estado, que estava há quatro anos com 17º índice na área, hoje figura na 18ª posição. Independentemente do viés ideológico, são essas as áreas para as quais o eleito deve voltar seus olhos e seus esforços. Afinal, a partir de um diagnóstico preciso, atuar nos setores que mais carecem de atenção em cada Estado é fundamental para que o governo cumpra a missão de garantir o bem-estar e o desenvolvimento.

• Guilherme Franco é analista de comunicação (guilherme.franco@loures.com.br)

%d blogueiros gostam disto: