Opinião: Jornalista analisa ex-líder soviético como a caricatura do mal

opiniao jornalista nonato nunes stalin a caricatura do mal - Opinião: Jornalista analisa ex-líder soviético como a caricatura do mal

Nonato Nunes

Entre fins do século 19 e a primeira metade do seguinte viveu na Rússia um indivíduo, natural da Geórgia, de cerca de 1 metro e sessenta. Ou seja, sua estatura se aproximava da de um pigmeu. O seu pé esquerdo apresentava uma anomalia a qual muitos russos a atribuíam ao próprio diabo: uma membrana ligava dois dedos do seu pé esquerdo. Tem mais… Sempre que aparecia em público tinha o cuidado de esconder, por meio de maquiagens, um rosto pálido revestido por uma pele maltratada, provavelmente, herança da varíola que o acometera na infância. Outro detalhe que procurava sempre resguardar da exposição pública era o do braço esquerdo, ligeiramente atrofiado. Para encerrar, tinha a mão esquerda curvada para dentro, lembrando a pata de um urso.
Senhoras e senhores, este é Josef Vissariovitch Djugashvili, ou melhor, Josef Stálin. A palavra “Stálin” significa, em russo, “Homem de Aço”, e fora adotado no transcurso de 1912. Ele abandonava, em definitivo, o Djugashvilli. Stálin nasceu na República da Geórgia no dia 18 de dezembro de 1878. O ambiente em que nasceu talvez tenha contribuído para a formação do seu caráter. Era filho de um sapateiro alcoólatra e dado a violências. Consta nos registros historiográficos que ambos, mãe e filho, eram surrados com frequência em razão dos acessos de “valentia alcoólica” de um homem de caráter pouco edificante. Estava, desta forma, emergindo um dos maiores assassinos de todos os tempos.
Com a morte de V. I. Lênin, outro assassino, em 1924, finalmente o Homem de Aço pôde chegar ao poder para pôr em execução o seu diabólico projeto de poder. Julgamentos sumários e condenações à morte passaram a fazer parte da rotina da então União Soviética, uma confederação de países montada sobre o extinto Império Russo. Alguns detalhes dos costumes do “Mestre”, como era chamado pelos bajuladores palacianos, chamam a atenção justamente por contrariar o discurso anticapitalista e anti-imperialista da ideologia comunista. É que Stálin adorava ver filmes americanos, como A Grande Valsa, Circus e faroestes americanos. E era admirador da obra de Charlie Chaplin (Carlitos). Sua única filha, Svetlana, fugiria para os Estados Unidos, onde morreu há poucos anos. Há registros de que o ditador teve ainda um filho, mas que teria morrido no decorrer da guerra. Stálin mandara assassinar a própria esposa, razão pela qual a filha o teria odiado para sempre.
Por fim, é bom que se diga que o Homem de Aço assassinou, entre 1928 e 1953, entre 50 e 70 milhões de pessoas (nas contas de Serguei Kruschev, filho de ninguém menos que Nikita Kruschev, o homem que denunciou todos os crimes de Stálin. O georgiano detém, hoje, o título de “Maior assassino em massa na civilização europeia”.
Eis o ídolo de muitos dos brasileiros. E esses nossos compatriotas tentaram fazer aqui o mesmo que o ídolo deles fez na URSS, caso tivessem oportunidade.

Um abraço e até a próxima.

PARA SABER MAIS
Richard Pipes, História Concisa da Revolução Russa, BestBolso
Jonathan Brent, “Dentro dos arquivos de Stálin – Descobrindo uma nova Rússia”, Record, 1ª edição, 2013)

%d blogueiros gostam disto: