Acesso às armas aumenta chances de novos casos como o de Suzano, dizem especialistas

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Dois homens entram armados em uma escola, matam e ferem dezenas de pessoas. O roteiro parece com algo que só aconteceria nos Estados Unidos, país em que o porte de armas é legalizado. Mas o caso descrito aconteceu nesta quarta-feira (13) em uma escola de Suzano, em São Paulo. No Brasil, há quem defenda que todo cidadão tenha uma em casa.

O presidente Jair Bolsonaro (PSL) é um deles. Também ontem ele anunciou que prepara um projeto de lei com o objetivo de flexibilizar o porte de armas, algo que ele vem prometendo desde a campanha eleitoral de 2018. Em janeiro, ele já tinha assinado um decreto que facilita a posse de armas. Após o massacre, o senador Major Olímpio (PSL) disse que se os professores da escola estivessem armados, a tragédia teria sido menor.

Especialistas no assunto ouvidos pelo blog discordam. Segundo eles, quanto mais armas, mais mortes. De acordo com Ivan Marques, diretor-executivo do Instituto Sou da Paz, em uma sociedade como a brasileira, que tem histórico de violência, desigualdades sociais e dificuldade de resolução de conflitos, é arriscado aumentar o acesso da população à objetos letais.

Para ele, se o cidadão tiver maior acesso à armas, tragédias como a que aconteceu ontem tendem a aumentar. Mesmo com boas intenções, ele diz que as pessoas podem ser roubadas, furtadas e até perderem o objeto que foi comprado para defesa. Ele argumenta que os armamentos podem ter uma origem legal, mas acabarem em mãos erradas.

Além disso, ele alerta para o problema de uma pessoa com tendências suicidas ter um objeto como esse em casa. “A arma não dá uma segunda chance”, diz ele lembrando que facas, cordas e outros artefatos que podem matar têm dupla função e que uma arma de fogo só tem como objetivo ferir ou matar.

De acordo com o advogado Ariel de Castro Alves, conselheiro do Conselho Estadual de Direitos Humanos de São Paulo, as vítimas estavam sob responsabilidade do Estado quando morreram e ele deveria garantir a integridade de cada uma das crianças que estava no colégio. “A segurança nas escolas públicas é precária”, disse.

“Não existe a obrigatoriedade de uso de uniforme, não tem controle de entrada nas escolas com carteirinhas magnéticas ou mesmo carteirinha com fotos. Muitas vezes não tem nem funcionários nas portas de entrada das escolas verificando quem é ou não aluno”, afirmou o advogado dizendo que exclusão e marginalização dos alunos no ambiente escolar também gera violência.

“O Governo Federal está defendendo a diminuição dos recursos para a educação e a ampliação do acesso às armas, o que pode gerar mais tragédias como essa”, constatou lembrando que a prioridade deveria ser melhorar a estrutura das escolas.

 

Fonte: Yahoo

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