Namoro em meio a uma guerra política na cidade de Campina Grande; Após 3 derrotas de Argemiro, paz entre famílias resultou no casamento de Iara com Orlando

Destaque Política

Enquanto Elpídio de Almeida e Argemiro de Figueiredo brigavam pelo comando do feudo eleitoral, Orlando flertava com Iara.

 

Adelson Barbosa dos Santos

 

Orlando Almeida, filho do ex-prefeito de Campina Grande Elpídio de Almeida, e Iara Figueiredo, filha do ex-governador da Paraíba Argemiro de Figueiredo, iniciaram um namorico em plena “guerra” política entre seus pais, na cidade denominada Rainha da Borborema, entre fins da década de 1940 e início/meados dos anos 1950 do século XX.
O namorico evoluiu para namoro sério sem a aprovação dos pais adversários políticos. Mas o casal não se intimidou com a briga. Insistentes como Elpídio e Argemiro, Orlando e Iara resolveram apostar no namoro e ver até onde chegariam. E para a surpresa e felicidade do casal, Elpídio e Argemiro fizeram as pazes entre 1954 e 1955. “Eles se apaixonaram e namoraram durante a guerra, se casaram na paz e eu nasci na união”, disse o filho do casal, o ex-deputado estadual Guilherme Almeida, neto dos dois líderes políticos que morreram há 36 anos (Argemiro) e 47 anos (Elpídio).
Argemiro de Figueiredo foi governador da Paraíba entre os anos de 1935 e 1940. Foi eleito pela Assembleia Legislativa da Paraíba. No ano de 1937, com o golpe do Estado Novo, Getúlio Vargas se consolidou na Presidência da República e o manteve no cargo como interventor até 1940.
Foi eleito deputado federal constituinte em 1945 pela União Democrática Nacional (UDN). Saiu das urnas em 1945 com 13.989 votos, o mais votado da Paraíba: com 10,11% dos votos. Somente em Campina, ele obteve 6.020 votos, o equivalente a 40,34%. Argemiro se considerava “dono” do eleitorado campinense.

UDN ganhou Governo em 1947

Ainda em 1945, o presidente eleito foi Eurico Gaspar Dutra (PSD). Ele derrotou, o brigadeiro Eduardo Gomes (UDN). Mas na Paraíba ocorreu o contrário, Eduardo Gomes ficou em primeiro lugar, com 76.110 votos, o equivalente a 53,25% do eleitorado. Dutra ficou em segundo, com 61.090 (42,74%).
Em 19 da janeiro de 1947, houve eleições para governador, senador, suplente de senador e deputado estadual.Na Paraíba, o governador eleito foi Osvaldo Trigueiro de Albuquerque Melo (UDN). Aliado de Argemiro, ele teve 80.368 votos (53,54% do eleitorado paraibano).
O derrotado, Alcides Carneiro (PSD), obteve 69.683 votos (46,43%), de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB).
Com dois nomes vitoriosos pela UDN na Paraíba (governador eleito em janeiro de 1947) e vitória do candidato a presidente (em 1945), o udenista Argemiro de Figueiredo se achou invencível e impôs, para as eleições municipais de 12 de outubro de 1947, em Campina Grande, a candidatura do seu cunhado, o major Veneziano Vital do Rêgo (UDN), casado com sua irmã Vicentina. Segundo o TRE, em 12 de outubro de 1947 foram realizadas as eleições municipais para prefeito, vice-prefeito e vereador em todos os municípios do Estado.
“E por ter obtido quase metade dos votos de Campina Grande, em 1945, Argemiro impôs o nome do cunhado para prefeito. A sociedade chiou. Na época, a sociedade não aceitou a imposição do nome da preferência de Argemiro e foi buscar um candidato que não era político tradicional. Achou essa característica em Elpídio”, disse o ex-deputado Guilherme Almeida, neto dos dois.

 

Federal em 1950

Depois que terminou o mandato de prefeito, Elpídio se candidatou a deputado federal. Obteve 17.283 votos. Foi o segundo deputado mais votado. Só em Campina Grande foram 11.965 votos.  

 

Elpídio derrotou Veneziano em CG

O Major Veneziano Vital do Rêgo (posteriormente avô do hoje deputado federal Veneziano Vital do Rêgo Segundo Neto e do ex-senador e hoje ministro do Tribunal de Contas da União Vital do Rêgo Filho, foi derrotado nas urnas pelo candidato Elpídio Josué de Almeida (coligação PSD/PSC).
Elpídio de Almeida era um médico conceituado na cidade de Campina Grande, conforme lembra seu neto.
“Elpídio venceu as eleições e foi um alvoroço em Campina Grande”, disse Guilherme. Segundo dados do TRE, Elpídio foi eleito com 8.142 votos (55,77% dos campinenses que foram às urnas em outubro de 1947). Major Veneziano obteve 6.456 (44,23%). O esquema político do “dono” de Campina Grande tinha perdido para um novato na política.
Na cidade de Campina Grande, Osvaldo Trigueiro, o candidato de Argemiro, que venceu as eleições no Estado, obteve 7.736. E o candidato de Elpídio, Alcides Carneiro, perdeu na cidade. No pleito de janeiro, ele obteve 5.506 votos.

Único

Nas eleições de 1947, o senador eleito foi José Américo de Almeida, com 9.746 votos.

Interventor

▶ Osvaldo Trigueiro substituiu o interventor José Gomes da Silva (PL), no cargo entre 20 de setembro de 1946 e 4 de março de 1947. José Gomes tinha substituído Odon Bezerra Cavalcanti (PSD), que governou entre 13 de fevereiro e 20 de setembro de de 1946.

 

Elpídio se fortaleceu em 1950

As eleições realizadas no ano de 1950 só fortaleceram a liderança de Elpídio de Almeida na cidade de Campina Grande. Além de ganhar uma cadeira na Câmara Federal, Elpídio ainda impôs outra derrota a Argemiro de Figueiredo.
“Foram eleições marcantes e violentas em Campina Grande. Houve até mortes na Praça da Bandeira”, disse Guilherme Almeida, frisando que Argemiro amargou uma derrota ainda maior, na campanha de 1950, para o grupo político do qual Elpídio fazia parte.
Naquelas eleições, Argemiro resolveu enfrentar o então ex-governador José Américo de Almeida (PSD) na disputa pelo Palácio da Redenção.
Como estava no fim do mandato, o prefeito Elpídio de Almeida se candidatou a deputado federal e apoiou José Américo.
O candidato a governador do PSD obteve 147.093 votos (56,96% dos eleitores da Paraíba), segundo o TRE. Em segundo lugar, Argemiro teve 111.152 votos (43,04% do eleitorado). Foram quase 40 mil votos a mais para José Américo de Almeida.
Com a derrota, Argemiro ficou sem mandato, mas não desistiu da vingança contra Elpídio.
Lançou o próprio nome para prefeito de Campina Grande e disputou as eleições municipais realizadas no dia 12 de agosto de 1951.
Teve como adversário o candidato apoiado por Elpídio, Plínio Lemos (PSD). O ex-todo poderoso Argemiro de Figueiredo voltou a perder para o esquema do adversário.
O prefeito eleito, Plínio Lemos, obteve 13.909 (55,07%) e Argemiro ficou com 11.124 (44,04%), segundo o TRE.

 

As pazes entre lideranças foram celebradas em 1954

Desde a primeira vitória de Elpídio contra o Major Veneziano Vital do Rêgo, em 1947, Argemiro de Figueiredo não teve outra alternativa senão planejar a vingança política nas eleições seguintes, em 1950, quando os paraibanos voltaram às urnas no dia 3 de outubro para escolher o Presidente da República, vice-presidente, senador, suplente de senador, governador, vice-governador, deputado federal e deputado estadual. Mas ele perdeu para José Américo. Em 1951, perdeu para Plínio Lemos.
Argemiro sofreu três derrotas seguidas, impostas por Elpídio. Ele só se reergueu na política quando deu a mão à palmatória e resolveu fazer as pazes com o desafeto, o que veio a acontecer nas eleições de 1954 para o Senado.
Lembra Guilherme Almeida que seus dois avôs resolveram esquecer o passado e Argemiro se elegeu senador com o apoio de Elpídio. Obteve 109.416 votos (25,15%). No mesmo ano, segundo o TRE da Paraíba, Argemiro também se elegeu deputado federal com 17.969 votos.
Em 1955, houve novas eleições no dia 3 de outubro para prefeitos, vice-prefeitos e vereadores em todos os municípios do Estado. Elpídio novamente se candidatou a prefeito de Campina Grande.
Daquela vez, com o apoio de Argemiro. Foi eleito com 13.481 votos (53,91%) ao derrotar Severino Cabral, que teve 11.527 votos (46,09%).

 

Década de 1960

A UDN foi o partido que mais tarde seria transformado na Aliança Renovadora Nacional (Arena), para dar sustentação aos governos a partir de 1964, que se originaram depois do golpe mililtar de 1º de abril daquele ano.

 

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